Quando a ficha cai! Artigo publicado no Jornal A Critica em 25/12/11
Quando a ficha cai.
É interessante como o conhecimento se transforma em atitude ao longo de nossas vidas, e qual é o caminho dentro de nosso cérebro para que isso aconteça. Todos nós atualmente, temos um grande acesso às informações, e o desafio hoje é selecionar e não mais procurar, pois temos de tudo com apenas um clique. Vem desde textos, artigos, trabalhos estudantis já prontos, passando por fotos e até videos. No passado, o ponto de informação mais popular era apenas uma “caixinha de imagens” que ficava no lugar mais nobre da sala, com poucos canais, na qual, nem controle remoto existia para “zapear” entre as poucas opções de programas. Então, com os novos tempos de conhecimento gratuito e em abundância, nos tornamos mais cultos e inteligentes, correto? Errado! O nosso cérebro não conseguiu acompanhar essa enxurrada de informações que temos acesso atualmente, e não tem tempo suficiente para os neurônios se reconstituirem ao longo da noite, até porque cada vez dormimos menos.
Se atente para o sono!
Segundo os especialistas, é necessário dormir no mínimo sete horas diárias, e hoje conseguimos dormir no máximo seis. Essa perda de horas de descanso, acaba por resultar em diminuição da memória e dificuldades em se concentrar. Uma orientação importante é aprender a focar, e para isso algumas dicas ajudam. Principalmente no computador, desligue todo e qualquer sinalizador que indica que existem emails chegando, amigos entrando no MSN ou Skype, e evite deixar a “janelinha” das mídias sociais minimizadas. Com inúmeras tarefas e interrupções, tenha a disciplina militar de utilizar uma agenda, e cumpra.
Cuidado com a dispersão!
É peculiar a você, aquele momento de ler um livro, e ao terminar uma página, percebeu que não entendeu ou não se lembra do que leu? Isso é resultado das inúmeras tarefas e pensamentos que o nosso cérebro é bombardeado constantemente. O mesmo exemplo serve para quando você assiste a uma aula ou treinamento. Muitos minutos de dispersão acontecem ao longo do dia, e não percebemos – na maioria das vezes é a informação mais importante do conteúdo. E esse detalhe faz com que não coloquemos em prática o que aprendemos, pois a “ficha não caiu”. Aliás, para muito poucos, a ficha cai imediatamente após um acesso ao conhecimento, para outros demoram a cair, e para muitos, a ficha nunca cairá ao longo da vida.
Tempo para os neurônios.
A produtividade e a execução somente é praticada quando a “ficha cai” em nossa mente. Possuimos uma parte do cérebro que processam as informações, e se aceitamos o mesmo, ela é encaminhada para a parte frontal (chamada de Córtex Pré-frontal), onde se transforma em execução. Quanto mais os neurônios estão reconstituídos – e isso acontece durante o sono – existe uma tendência de que mais rapidamente os impulsos se transformem em ações. É uma grande quebra de paradigma, pois no passado, uma pessoa era considerada produtiva em relação as horas de trabalho utilizadas, e nos dias atuais, trabalhar muito é sinal de incompetência. É necessário também ter um tempo para vida própria, ou seja, mover-se, comer, dormir, relaxar e interagir.
Para 2012, ao invés do tradicional: Muita paz, saúde e dinheiro no bolso, vou desejar aos meus leitores, que muitas “fichas caiam” ao longo do ano. O primeiro desejo é conseqüência do segundo. Boas festas!

