Barça
O futebol é um dos exemplos na qual gosto muito de ancorar os episódios rotineiros de uma grande empresa. E assim aconteceu na manhã do dia 18 de dezembro ultimo, onde todos puderam assistir de camarote a um espetáculo, um show, ou como até disseram os próprios jogadores do Santos, uma verdadeira aula de como jogar bola. O time do Barcelona foi o professor. O adversário apenas serviu como coadjuvante e aluno, pois quem “deu a bola” – ao contrário do hino santista – foi o time espanhol. O jogo, na realidade é apenas o resultado de uma organização, que possui uma estrutura melhor que muita empresa privada, e utilizando de técnicas e teorias utilizadas no mundo corporativo. A começar pela base. O investimento e a valorização dos talentos começam desde a adolescência dos jogadores, e Messi é a prova viva de um pequeno argentino que chegou com aproximadamente treze anos para fazer um teste na equipe. O custo de manutenção de uma escolinha de futebol é irrisório quando se fabricam craques milionários, e que ajudarão o time a conquistar novos títulos e torcedores. E o mais importante fica oculto: A gratidão e a satisfação de um talento formado nessas condições é incomparável.
Escola de cidadãos
O Barcelona não cria apenas grandes jogadores de futebol, mas, grandes cidadãos para o mundo. Em um dos jogos das divisões inferiores, consta na história, que um pequeno jogador do time blaugrana não praticou o “fair play” em um recomeço de jogo, e fez o gol. Imediatamente o técnico o sacou do time, e ordenou que seus pequenos aprendizes deixassem o time adversário marcar o tento. Quanto de lição esse episódio ensinou para a vida desses jovens jogadores? Muitas empresas reclamam da falta de talentos no mercado, mas infelizmente, muito pouco se vê de investimentos das mesmas, em formação de talentos desde a sua base. Alegam que não irão investir em formar profissionais para o mercado, pois muitos acabam saindo antes do tempo. Mas, o desafio não é apenas criar “craques”, mas também reter. Mesmo indo para o mercado, quantos leais ex-colaboradores falando bem e indicando a empresa “formadora de gente”, essa organização não terá? A lei da propagação ajuda também a atrair bons profissionais. E, muitos se propõem a trabalhar inicialmente até de graça.
Trabalho em equipe
O famoso jargão do mundo corporativo, e muito buscado nos treinamentos por ser um dos maiores problemas atuais – o trabalho em equipe – o time do Barcelona tem de sobra. Não é à toa que os críticos e jornalistas em geral, chegaram a cogitar como sendo uma nova forma de se jogar futebol, e alguns mais ousados, chegam a falar sobre a reinvenção da estratégia do mundo da bola. Nada disso. O seu principal craque – Lionel Messi – foi criado em uma escola que ensina que todos devem jogar em prol do time, e não em função da estrela da equipe. Sendo esse um dos valores do Barcelona – que já se aprende na escolinha – não é supresa vermos todos os jogadores ajudarem na marcação, e o time jogar sem centroavante. O Barcelona inventou a tática 4-6-0. Na linha de frente qualquer um pode ocupar a posição.
O Barcelona é hoje mais do que um simples time de futebol. Ele executa o papel que toda empresa e familia deveria ter: Formar cidadãos antes de tudo, com base nos princípios do caráter e da ética. Os craques, os resultados, os títulos e o legado que cada jogador deixará, é apenas resultado dessa ideologia. Um belo exemplo para iniciarmos 2012.
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