Volte a bordo! Artigo do Jornal A Critica de 22.01.12
Seria cômico se não fosse trágico, o naufrágio do navio Costa Concórdia ocorrido na costa da Toscana recentemente, e que causou a morte até agora de mais de uma dezena de pessoas, fora as consideradas desaparecidas. O diálogo travado entre o capitão da Guarda Costeira – Gregório de Falco – e o comandante do transatlântico – Francesco Schettino – chega ser hilário, em um episódio real e extremamente desesperador para milhares de pessoas. A mídia sensacionalista já criou diante do episódio, um herói e um vilão, e na Itália já circulam camisetas com a frase mandante de “Vada a bordo, cazzo!”. Em italiano, cazzo é uma referência ao órgão sexual masculino, mas usado normalmente para enfatizar algo muito importante. Para quem não acompanhou as últimas notícias, Schettino foi o primeiro a abandonar o seu posto, demonstrando um comportamento covarde e medroso, face a sua tripulação, passageiros e navio que estava afundando.
O primeiro a pular do barco
Diz os livros voltados para liderança, que o comandante do grupo em casos extremos deve assumir a responsabilidade pelo seus responsáveis, e literalmente deve ser o último a “pular do barco”. E o mundo teve acesso a um áudio, que foi uma verdadeira aula de como um líder não deve se comportar em momentos de pressão.
Junto com o comandante, foram para o bote salva-vidas seus cinco capitães, ou seja, toda a tripulação e passageiros ficaram a mercê da sorte e da escuridão do acidente.
Nessa hora, diz a imprensa que foi um capitão que viajava como passageiro no navio, que chamou para si o papel de coordenar a retirada das pessoas a bordo. É comum, em momentos extremos em grandes empresas, aflorar uma liderança que assume o comando, diante da paralisação ou fuga de quem realmente deveria puxar a responsabilidade à frente da operação.
Esse episódio tomou grandes proporções na imprensa por ser raro acontecer, e pelas palavras trocadas via telefone, dignos de uma cena cinematográfica.
Cena comum nas empresas
Mas, de forma silenciosa e sem alardes, em muitas empresas essa cena acontece quase que corriqueiramente, quando líderes apenas no crachá deixam de tomar decisões importantes, ou se acovardam diante de situações sobre pressão, virando as costas e deixando seus subordinados a “verem navios”. Essa cena é muito comum em organizações que passam por uma reestruturação, na qual a insegurança toma conta de todos, e o medo de perder o emprego deixam muitas pessoas desesperadas, e porque não dizer “sem dormir”. A começar pelo suposto líder, que normalmente emudece e não transmite segurança à sua equipe.
Profissões com responsabilidade
Segundo a revista Exame, algumas profissões de acordo com algumas convenções, devem realmente ser os últimos a pular do barco, e que o próprio instinto de sobrevivência deve ficar em segundo plano. Entre as carreiras que devem obedecer essa lei é a de Chefe de Estado, médicos, enfermeiros, bombeiros, controladores de tráfego e até professores, cujo episódio de um “serial killer”, acontecido em uma escola no Rio de Janeiro recentemente, foram cruciais para manter a calma dos alunos e evitar mais vítimas.
Schettino foi uma prova viva de um provérbio famoso: Quando o barco está afundando, os ratos são os primeiros a pular! Coisa feia comandante…
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